O jornalista não é juiz, promotor e nem delegado. Por isso, não deve acusar uma pessoa de um crime, por exemplo. Mesmo em caso de confissão. Uma pessoa só pode ser considerada culpada de um crime depois de condenado em última instância. E uma pessoa que já cumpriu sua pena por um crime deixa de ser considerada assassina, ou qualquer outro título que a ela era atribuído antes de pagar por isso.
É por isso que os jornalistas, principalmente os investigativos, devem saber onde estão se metendo, o que podem publicar ou não e as possíveis consequências jurídicas que a reportagem pode ter.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) oferece o curso Introdução ao Direito para Jornalistas. As aulas são presenciais e ministradas por promotores ligados ao Ministério Público Democrático (MPD). O curso é focado nas necessidades mais comuns dos jornalistas. As aulas exploram os erros cometidos por jornalistas na cobertura jurídica usando exemplos tirados de reportagens de jornais. São explicados os caminhos dos processos, a estrutura da justiça brasileira e seus agentes, os jargões jurídicos, entre outras noções básicas de direito.
domingo, 25 de novembro de 2012
ERRO DE APURAÇÃO
Todo ser humano está sujeito a cometer erros. No meio hospitalar, por
exemplo, erros podem levar até a morte de um paciente. Já o erro de apuração jornalística pode provocar estragos inimagináveis. A apuração é o processo de produção jornalística crucial na elaboração de uma matéria. Apurar é checar, perguntar, rechecar, desconfiar e, por fim, informar.
Os erros
não passam despercebidos. O leitor cobra. Uma falha considerada “boba” para o
autor da matéria pode causar transtornos na vida de uma fonte ou do alvo da
reportagem. Celebridades são quase sempre vítimas. Um conteúdo de
entretenimento errado sobre algum modelo, atriz, cantor, por vezes, param na
justiça. Por trás dos sites de “fofocas” estão jornalistas, e se são jornalistas,
devem apurar a informação antes de publicá-la.
Errou?
O erro é matéria e deve ser publicada. No
livro “A Arte de Fazer um Jornal Diário”, Ricardo Noblat fala da dificuldade de
publicar admissão de erros e lembra a atitude do Correio Braziliense:
“Em 3 de agosto de 2000, o Correio Braziliense cometeu
um enorme erro em matéria que foi manchete de primeira página. A manchete
dizia: “O grande negócio de Jorge”. Dava conta do envolvimento do ex-secretário
da presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira em um negócio suspeito
com o Banco do Brasil.
A matéria estava errada de uma ponta a outra. E na
edição seguinte, o jornal assumiu o erro em manchete de primeira página.
A manchete “O Correio Errou” de 4 de agosto de 2000
ganhou o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Impressa. Ganhou também, na mesma
categoria, o Prêmio Claúdio Abramo de Jornalismo.”
sábado, 24 de novembro de 2012
Se torcer sai sangue?
O
jornalismo, de uma maneira geral, precisa atender dois principais critérios de
noticiabilidade: importância e interesse. O jornalismo investigativo é aquele
que dá mais ênfase na questão das notícias importantes, ou seja, na importância
social. Já o jornalismo chamado de sensacionalista, considerado ruim por
pesquisadores e estudiosos, pode ter um viés importante nisso tudo. Uma questão
fundamental para isso, é que em países emergentes, como o Brasil, África do
Sul, Índia, China, o jornalismo impresso, diferente do que acontece na Europa e
nos Estados Unidos, vem crescendo, aumentando a tiragem e surgindo novos títulos.
A chamada nova economia do século XXI, vem aumentando o jornalismo para o que é
chamado de nova classe média. A partir disso, o sucesso de jornais como o
“Expresso”, “Meia Hora”, “Extra” e “O Dia”, chamam atenção. É preciso não ter
preconceito da imprensa chamada de sensacionalista. Ela também possui
contribuições importantes. Para uma série de autores, ou seja, o senso comum dos acadêmicos, o sensacionalismo é uma disfunção narcotizante. Segundo a teoria da
comunicação, disfunção narcotizante é o efeito que o excesso de informação causa
as “massas”, tornando as pessoas menos críticas devido ao grande volume de
dados a que entra em contato. A crítica é principalmente à televisão.
Mas, por
que não devemos ter preconceitos aos jornais populares? Um ponto é que, o que
diferencia a imprensa de referência, chamada imprensa séria, da imprensa sensacionalista
é o grau de utilização dessas narrativas. Outro ponto é que vários desses
jornais, como O Dia, ganharam o Prêmio Esso de jornalismo. E o prêmio mostra o que
é o ideal na prática jornalística e mostra o que há de melhor.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Abaixando a Máquina - Ética e dor no fotojornalismo carioca
O
documentário Abaixando a Máquina aborda questões do fotojornalismo
contemporâneo. Como o longa é de 2008, mostra um Rio de Janeiro antes das
pacificações e com constantes confrontos entre traficantes e policiais nas
comunidades cariocas. A principal característica dos fotógrafos é a ousadia.
Eles enfrentam situações de risco sempre de olho no foco. O filme também mostra
a relação entre os fotógrafos com as comunidades carentes. Exibe os dilemas dos
profissionais atrás de suas câmeras e que, por vezes, se sentem obrigados a
abaixar a máquina.
"Quando
falam que a gente é kamikaze, nu fundo é verdade." Nilton Claudino
"Nenhuma
vida vale uma foto." Marcelo Carnaval
"Fotógrafo
não faz demagogia, fotógrafo faz fotografia." Flávio Damm
Confira
abaixo o filme completo:
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Homem morde cão
HOMEM SOCA POLICIAL E MORDE CACHORRO (Fonte: R7)
HOMEM MORDE CÃO EM PERSEGUIÇÃO POLICIAL (Fonte: Terra)
HOMEM MORDE CACHORRO NA ALEMANHA (Fonte: Folha Online)
sábado, 10 de novembro de 2012
"Histórias de Arcanjo - um documentário sobre Tim Lopes"
| Foto Mauren McGee |
Um jovem,
mas nem tão jovem assim, filho do jornalista Tim Lopes, decidiu fazer um
documentário sobre a vida do pai. Bruno Quintella é jornalista e trabalha na TV
Globo. Ele foi até a PUC-Rio e falou do filme, da vida jornalística e, claro,
do pai.
A ideia
começou em 2004 quando o cinegrafista e amigo pessoal de Tim, Guilherme Azevedo
procurou Bruno nos corredores da emissora, onde ambos trabalham. Mas apenas em
2009 os dois registraram o argumento do documentário na Biblioteca Nacional. Em
2010, os depoimentos começaram a ser gravados. Amigos, colegas que trabalharam com ele e
pessoas que compartilharam da vida pessoal de Tim foram ouvidos.
Na
construção do trabalho, Bruno conheceu mais o jornalista Tim Lopes. Para ele,
as reportagens do pai eram como mini documentários. Tim tinha uma
característica de falar pouco em suas matérias e dar voz aos seus personagens.
Outra característica destacada pelo filho era o jornalismo humano do pai. Para
Bruno, explorar sentimentos não é jornalismo humano. Ele chegou a citar casos
recentes como exemplos, como o de Isabela Nardoni e o massacre da escola de
Realengo.
| Tim Lopes e Bruno Quintella |
O Bruno
também abordou duas questões sobre a rotina jornalística. A primeira foi sobre
os profissionais que migraram do impresso para o telejornalismo. Enquanto o
jornalista da TV fazia apenas o feijão com arroz da matéria, o jornalista do
impresso precisava apurar muitas informações para conseguir escrever mais. Por
isso, matérias consagradas no telejornalismo são de repórteres que migraram do
impresso. A segunda questão foi sobre o “jornalismo sentado”, ou seja, o
repórter que deixa de gastar sola de sapato para ficar na frente do computador.
Essa situação, segundo o Bruno, denota nas redações atualmente uma atitude
correta. Enquanto o profissional que está na rua, “está voando, dando migué”.
Bruno
ainda deu a visão dele sobre jornalismo investigativo, “Jornalismo
investigativo não é jornalismo de morro, não é jornalismo policial” e
complementou, “Jornalismo investigativo é, às vezes, você botar uma roupa e
pegar um trem”.
Curiosidades
Uma seleção de fotos do Making of do Histórias de Arcanjo, retiradas da página do documentário no facebook. Fotos Mauren McGee.
Um pouco de história
Mais conhecida como Nellie Bly,
Elizabeth Jane Cochran foi pioneira das reportagens investigativas. A carreira
começou com uma carta que contestava o artigo “Para que servem as mulheres?”,
do jornal Pittsburgh Dispatch. O editor ficou surpreso com a qualidade da carta
e convidou a jovem de apenas 18 anos para ser repórter do jornal. O pseudônimo
Nellie Bly veio do nome de uma canção popular de Stephen Foster.
As primeiras matérias falavam do
desamparo legal das mulheres. Nellie Bly não queria apenas ver de perto, mas
queria ver de dentro as realidades sociais da época. A partir disso, ela
começou a se disfarçar e passar pelas mesmas experiências que queria relatar.
Ao escrever sobre exploração infantil e as péssimas condições que os
trabalhadores eram submetidos, os donos ameaçaram a tirar os anúncios do
jornal. Então, a jovem repórter foi transferida para a seção de eventos
sociais. Não satisfeita, ela pediu licença do jornal e foi para o México. Lá,
Nellie escreveu sobre a pobreza e corrupção local e foi expulsa do país pelo
governo mexicano.
Ao voltar para os Estados Unidos,
Nellie foi para Nova Iorque. Ela procurou emprego no New York World, jornal de
Joseph Pulitzer (criador do prêmio Pulitzer). O primeiro trabalho da jornalista
no jornal foi sobre o Sanatório de Mulheres na Blackwell, na qual passou pelas
mesmas experiências das pacientes.
Em 1888, inspirado no livro A
Volta ao Mundo em Oitenta Dias, de Júlio Verne, o New York World decidiu mandar
um repórter em uma viagem ao redor do mundo. Nellie foi escolhida. Ela partiu
de Hoboken, Nova Jersey, em 14 de novembro de 1889. Em 25 de janeiro de 1890,
ela completou sua viagem ao redor do mundo. Ela visitou não só a Inglaterra, Japão,
China, Hong Kong como no livro, mas também Amiens (o lar de Júlio Verne)
Colombo e São Francisco.
Curiosidade:
O primeiro newsgame (jogos casuais baseados em noticias [“news” em inglês] e em fatos reais.)
da história retratou volta ao mundo de Nellie Bly.
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